Cinco formas de lidar com a amiga que transforma o namorado em conteúdo para internet

Uma amiga me mandou um vídeo outro dia. Não era um vídeo dela. Não era um vídeo de uma viagem. Não era um vídeo do cachorro.

Era o namorado.

Sem camisa.

Lavando a louça.

Com direito a zoom.

Quando terminei de assistir, fiquei com uma dúvida sincera: ela estava namorando o rapaz ou fazendo a divulgação oficial dele para o mercado?

Se você já conviveu com alguém que transforma cada aparição do parceiro em um evento público, talvez saiba exatamente do que estou falando. Não chega a ser um problema grave da humanidade. Não vai parar o trânsito. Mas pode ser um daqueles comportamentos que despertam uma leve irritação acompanhada de uma vontade enorme de revirar os olhos.

Então vamos conversar sobre isso.


Entenda que nem todo mundo vê limites da mesma forma

Algumas pessoas acreditam que relacionamento feliz precisa ser exibido.

Outras acreditam que relacionamento feliz precisa ser vivido.

A maioria fica em algum lugar entre essas duas opções.

Quando sua amiga grava o namorado mal acordado, posta fotos em sequência e anuncia para o planeta que encontrou o homem mais bonito da galáxia, talvez ela esteja apenas buscando validação.

Isso não significa que você precise participar da empolgação com a mesma intensidade.

Sugestão cultural

A série Black Mirror costuma fazer reflexões interessantes sobre exposição, validação e comportamento digital.


Evite competir no campeonato que você não se inscreveu

Existe uma armadilha curiosa.

Você começa observando.

Depois começa comparando.

Em seguida está pensando se deveria postar mais, mostrar mais ou provar mais alguma coisa para alguém.

A melhor saída costuma ser lembrar que a vida não é uma olimpíada de curtidas.

Se sua amiga quer transformar o namorado em celebridade local do Instagram, essa é uma escolha dela.

Você não precisa abrir uma torcida organizada.

Sugestão cultural

O documentário O Dilema das Redes ajuda a entender por que a validação pública se tornou tão sedutora.


Use o humor antes da irritação

Alguns comportamentos ficam mais fáceis de lidar quando você troca a indignação pela comédia.

Quando surgir o décimo vídeo do namorado tomando água, talvez seja mais saudável rir mentalmente do que iniciar uma cruzada filosófica sobre privacidade.

Nem toda batalha merece um manifesto.

Algumas merecem apenas uma sobrancelha levantada e um “entendi”.

Sugestão cultural

O podcast Não Inviabilize é cheio de histórias que mostram como os seres humanos conseguem ser maravilhosamente peculiares.


Observe o que realmente incomoda você

Essa parte costuma ser menos divertida.

Às vezes a irritação não está apenas na exposição.

Talvez seja o excesso.

Talvez seja a necessidade constante de aprovação.

Talvez seja a sensação de que tudo virou performance.

Quando você identifica o motivo real do desconforto, a situação fica mais simples de entender.

E pessoas compreendidas costumam ser menos irritantes do que pessoas apenas julgadas.

Sugestão cultural

O livro A Sociedade do Cansaço traz reflexões interessantes sobre exposição e comportamento contemporâneo.


Saiba quando simplesmente ignorar

Existe uma maturidade que chega quando percebemos que nem toda característica dos outros precisa ser corrigida.

Algumas precisam apenas ser observadas.

Se a amiga posta o namorado fazendo café, caminhando, respirando e existindo, talvez o melhor seja continuar sua vida.

O botão de avançar stories foi uma das maiores invenções da era digital. Talvez esteja no mesmo nível da roda e do pão de queijo.

Sugestão cultural

A série Modern Family mostra como cada pessoa tem manias que parecem absurdas para os outros e completamente normais para si mesma.


Os números da sorte de hoje

2

O número dos pares, dos relacionamentos e das parcerias. A astrologia, a numerologia e metade das músicas românticas parecem gostar bastante dele.

5

Número associado à liberdade e à aventura. Também representa a quantidade oficial deste artigo, o que não deixa de ser uma coincidência conveniente.

11

Em muitas tradições, o 11 aparece ligado à intuição. Talvez seja um lembrete para confiar mais no seu radar social.

17

Número cercado por superstições em diferentes culturas. A humanidade adora dar personalidade para números.

23

Depois do filme “Número 23”, muita gente passou a enxergar esse número em todo lugar. O cérebro adora essas brincadeiras.

42

Graças ao livro O Guia do Mochileiro das Galáxias, virou a resposta mais famosa para perguntas que ninguém fez.


Extra da Marta

Passeio

Faça uma caminhada em um parque sem levar o celular na mão.

É impressionante como o mundo fica interessante quando não estamos acompanhando a rotina amorosa dos outros em tempo real.


Encerramento

Nem toda amiga que exibe o namorado está tentando provocar alguém.

Muitas vezes ela só está vivendo uma fase de encantamento com volume acima do recomendado.

Mas também não é obrigatório achar graça de tudo.

Talvez uma dessas formas funcione para você.

E fica uma pergunta: se ninguém pudesse curtir, comentar ou compartilhar, quantas pessoas continuariam postando exatamente as mesmas coisas?

Às vezes a solução não precisa ser grandiosa.

Na vida real, pequenas mudanças já ajudam bastante.

Meu nome é Marta Leal. Tenho idade suficiente para saber que quase todo mundo está improvisando a vida em silêncio (alguns só têm iluminação melhor no Instagram). Escrevo sobre relações, cotidiano, solidão, vergonha, saudade, amizade, recomeços e essas pequenas confusões emocionais que os adultos fingem administrar perfeitamente enquanto procuram o boleto certo no aplicativo do banco. Não acredito muito em fórmulas mágicas. Nem em frases motivacionais escritas sobre foto de montanha. Acredito mais em conversa honesta, café quente, pequenas mudanças possíveis e gente que aprende aos poucos a se tratar com menos brutalidade. Criei o “Cinco formas de” porque percebi que a maioria das pessoas não precisa de alguém dizendo como viver. Precisa só de um pouco de clareza no meio do barulho.

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